quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Piruetas Transe(untes)

            Vamos tomando pelas mãos e vamos formando uma roda de embalo. Olho cada um nos olhos e me permito ser embalada pela música. Na asa do vento, sinto largar o chão. E “assubo” nos aro, para brincar no vento leste. Meus pés desapegam-se do chão e distancio-me cada vez mais do solo. As mãos, porém, continuam pegadas à roda.  Isto, contudo, não impede o meu voo. E vou subindo, cada vez mais alto e leve, nadando em pleno ar. O ar é fluido como o mar, e não me oferece qualquer resistência. Vejo as pessoas na roda a embalar. Elas nunca me viram tão leve e iluminada. Estão estupefatas. Eu também nunca me sentira tão leve e luminosa. É um êxtase indescritível! Neste momento, dou uma cambalhota, traço uma pirueta, minhas pernas se esticam quase a bater no teto. Sinto-me nua. Minha alma está completamente despida. Eu sou esta leveza e espontaneidade; esta luz e este rodopiar infante. Aqui, parece-me que a música acaba, não tenho certeza. Giro mais uma vez no ar e regresso ao chão, conservando esta leveza d’antes.  E vou olhando devagarzinho para cada pessoa na roda, degustando mais um pouco este êxtase. Estupefata, agora sim, de ter uma identidade tão luminosa e expansiva. Desejando, por minha vez, trazê-la para a curva da vida.

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