Esta
mandala é o negativo mais sincero e colorido de minha afetividade. Ela surgiu
despetalada, apenas com as quatro pétalas maiores. Por serem maiores e mais
fortes, foram as únicas sobreviventes de minha última incursão no amor. O centro,
com linhas finas de contorno, também não estava assim vivo, assim quente,
quando cheguei. Não. Eu cheguei despetalada e amortecida. Um completo azul
oceânico bem escuro dominava minha alma. Um azul bem gelado, desesperançado, exatamente
como estava o meu coração. Eu era esse frio cortante de morte.
O
rosa veio naturalmente, quieto, um tanto tímido. No fundo do azul tirânico, um
sopro de ternura emergiu. O núcleo acendeu uma luz singela. Um rosa quente e
discreto remoçou a Vida dentro de mim. A Afetividade renovou-se em pequenos
gestos e pétalas miúdas e brilhantes nasceram no vazio, entre as pétalas
maiores. Cada vez mais pétalas, lindas e rosáceas, estão a preencher-me. O
Amor, este fogo luminoso e acolhedor, me aquece sem queimar. E a flor está cada
vez mais cheia e rosa de Afeto.
Cristais
pontiagudos ainda sobrevivem ao centro, são minhas couraças mais obstinadas. O
núcleo, porém, é flor. Eu sou flor, por mais que insista em construir muros
intransponíveis. Mas não deixe o medo demovê-lo de conhecer a flor que eu sou,
e que guardo com tanto zelo, a sete chaves.
Eu
sou flor. E tanto Amor adoça minhas pétalas. Veja! As aves já me circundam,
amando-se também. Já não há qualquer sinal do azul oceânico cortante. Não. Sou mel
e ternura. E o Amor, em breve, vencerá o medo que persiste.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Grata pela visita. Abraços biocêntricos!