sexta-feira, 12 de junho de 2015

Inteireza no enlace

            Em princípio, foram os braços. Um arrocho daqueles! Embora assustada, eu gostei. Eu estava realmente precisando daquele arrocho para voltar a mim. Tanto que, mesmo com medo, me permiti dissolver naquele abraço. Larguei mão de ser terra, e fui água por alguns minutos. Fui lágrima e suor. Fui sede. Sede de proteção. Eu, profundamente entregue, só me sustinha em pé, porque você me segurava.
            Não obstante sua força, eu era presença. Sim, apesar de dissolvida, eu estava presente. E esse aperto todo me fez lembrar que eu também já fui urso. Eu também queria, de alguma forma, trazer a pessoa para dentro de mim. Porém, mesmo que eu quisesse, não tinha braços para sugá-lo, pois já o fora primeiro.
            Ainda assim, eu me propus a apertá-lo, muito embora carecesse de braços para tal. Eu queria reviver meus tempos de sucuri. Contudo, descobri que não mais o poderia. Eu não tinha mais força, apenas ternura. Então, brotou em mim um abraço afetuoso e doce. Apertar? Não é mais necessário. Apenas trazer junto ao peito.
            Contrariando esta poética bruteza que ainda me sobra, eu simplesmente quero abraçá-lo com o corpo inteiro. Não são os braços que enlaçam tão-somente, embora estes estejam hipersensíveis, mas também as mãos, que querem pousar em seu rosto, acomodar-se a ele; é a minha face, que quer roçar-lhe felinamente o rosto; é a respiração, que quer aspirar o calor de sua pele; são todos os poros exalando prazer e ternura ao deliciar-se neste enlace.

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