Em princípio, foram os braços. Um
arrocho daqueles! Embora assustada, eu gostei. Eu estava realmente precisando
daquele arrocho para voltar a mim. Tanto que, mesmo com medo, me permiti
dissolver naquele abraço. Larguei mão de ser terra, e fui água por alguns
minutos. Fui lágrima e suor. Fui sede. Sede de proteção. Eu, profundamente
entregue, só me sustinha em pé, porque você me segurava.
Não obstante sua força, eu era
presença. Sim, apesar de dissolvida, eu estava presente. E esse aperto todo me
fez lembrar que eu também já fui urso. Eu também queria, de alguma forma,
trazer a pessoa para dentro de mim. Porém, mesmo que eu quisesse, não tinha
braços para sugá-lo, pois já o fora primeiro.
Ainda assim, eu me propus a
apertá-lo, muito embora carecesse de braços para tal. Eu queria reviver meus
tempos de sucuri. Contudo, descobri que não mais o poderia. Eu não tinha mais
força, apenas ternura. Então, brotou em mim um abraço afetuoso e doce. Apertar?
Não é mais necessário. Apenas trazer junto ao peito.
Contrariando esta poética bruteza
que ainda me sobra, eu simplesmente quero abraçá-lo com o corpo inteiro. Não são
os braços que enlaçam tão-somente, embora estes estejam hipersensíveis, mas
também as mãos, que querem pousar em seu rosto, acomodar-se a ele; é a minha
face, que quer roçar-lhe felinamente o rosto; é a respiração, que quer aspirar o
calor de sua pele; são todos os poros exalando prazer e ternura ao deliciar-se
neste enlace.
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