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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Marte em Áries

Marte em Áries by: Sara Carvalho


       “Eu estou com muita raiva de você” - penso, quando uma lembrança sua me furta. “Sim, eu estou com muita raiva de você” - repenso, trincando os dentes. Meu olhar, frio e cortante, não mente: estou realmente com raiva. Contudo, furta-me novamente a lembrança do teu sexo. Nisso, o desejo de vingança e o tesão se fundem dentro de mim. Confundem-me momentaneamente. “Não! Não quero recordar seu beijo! Estou com raiva!” - exaspero-me. Suas mãos… Ah! Suas mãos em mim… “Eu estou com raiva de você” - recordo-me, minha sinistra em sua carne e, a destra, na peixeira. Estou deveras irritada.
       “Por que fez o que fez? - questiono-me. - Onde está o amor que me alardeia?” Sua incoerência me preocupa. Você esqueceu que meu Marte é em Áries? Antes disso, você esqueceu que eu tenho um coração?
       Sua carne fina, gelada, escorre pela bancada. O cheiro doce de suas carnes reverbera em mim. Poderia cozinhá-la só com o fogo dos meus olhos. Estou com muita raiva de você. Gostaria, sinceramente, de não mais vê-lo. Neste momento, gostaria sequer de tê-lo conhecido. Estou tão irritada com você! Tão irritada por você não ter respeitado o meu processo. Irritada por você ter se confiado no meu coração sempre aberto e gentil. Não me desfaço da minha ternura, mas meu Marte continua sendo em Áries. Quando eu me irrito, me irrito profundamente.
       Não sei se isso é bom ou mesmo se é algo de que eu devesse me orgulhar, mas meu Marte em Áries é fodástico. É intensamente arisco e, ouriçadamente, incendiário! E, para me carma, nunca eclode um só fogo. Nesse exato instante, por exemplo, quero matar-te em mim e gozar em ti. Sim, sob a raiva a pino, subjaz o tesão que me liga a ti. E a raiva se intensifica, quando, mesmo irritada, quero transar contigo. E os dois fogos são tão intensos, que nenhum dos dois cede. Sua boca… Minha boca… Nossos beijos… Eu ainda estou irritada com você. Ainda… Amanhã, talvez, o amor acalme a guerra e Vênus reine sobre Marte. Amanhã… Só por hoje, não te matarei. Só por hoje, não usarei minha peixeira em ti. Só por hoje, tua carne permanecerá macia e quente. Amanhã, não sei dizer. Amanhã há de ser outro dia. Agora, o sono insiste em me carregar.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

No coração da mata

"No coração da mata" é o nono desenho (em ordem de criação) da série: De fogo e de asa; de fibra e flor: Mulher, de minha autoria.


A sexualidade é sagrada. O nosso fogo é sagrado. O meu corpo é sagrado. A minha vulva é sagrada. Sim, a minha vulva. Sou uma mulher.

Eu, com trinta anos, relaxo e deixo minha vulva respirar. Inclusive, estou sem calcinha, para que ela possa respirar o quanto queira. Não tem ninguém aqui comigo. Ninguém prestes a me sugar ou me penetrar. Teve ontem. Hoje, não. Hoje eu só quero relaxar. Nem vontade de me masturbar eu sinto. Sinto apenas minha vulva respirando. Como sinto! Fecho os olhos e abro as pernas, para sentir melhor. 

Minha vulva é uma concha semiaberta. Não sou mais virgem. Minha vulva, porém, se abre em flor, para respirar, como uma clareira no coração da mata. A flor, contudo, verte mel, transbordando fertilidade. Estou fértil, sim. Estou grávida de inúmeras ideias e projetos. Estou me recriando todo o tempo. 

Ah! Sinto o ar entrando e saindo. Sinto o sangue irrigando e circundando toda a vulva. Sinto esse sangue brotar e dançar em flores, ao redor da vulva. Sinto, pois, a área aquecer-se. O sangue é quente. Eu sou quente. 

Hmmm. Sinto uma leve excitação avolumar-se e contraio a pélvis. Não, não contraia! Respiro e abro novamente as pernas. Eu não preciso esconder o meu gozo. Não há de quem esconder. Então, relaxo e deleito-me. 

Sobre o leito, sinto minha carne macia e delicadamente terna, como um jardim de tulipas. Sinto-me, nesse instante, deveras primaveril, irradiando flores e sobejando mel. 

Agora, sinto uma leve sonolência. Estou tão conectada à minha feminilidade, que relaxo sobremaneira, imersa em meu ser mulher.