sexta-feira, 24 de maio de 2019

A Inspiração



Silencia e escuta. Respira. Escuta. Abre todos os ouvidos da tua pele. Abre todos os canais sensitivos da tua alma. A Inspiração já está aí. Silencia. Ela quer falar-te. Aquieta. A Musa só é audível no silêncio. 

Ouve o inaudível. Regressa à Fonte. É de lá que a Musa emerge para embriagar-te. Silencia e escuta. Esquece, por alguns minutos, que o aluguel vence amanhã. Esquece o mundo. Na Fonte, tudo cresce e prospera. Ouve. Entrega-te à Harmonia. 

Entorpece-te de ti mesmo. Ouve o silêncio que habita em ti. Até Deus descansou ao sétimo dia. Descansa tua alma na Fonte e ouve a Musa. Ouve a lira de Orfeu, que encanta até o Hades. Aquieta-te, criança. Serena a tua mente para ouvir. 

Cessa o pensamento um instante. É o sentir que te conecta à Musa. Esquece a linguagem acadêmica, por ora. Esquece todas as teorias e sê apenas uma alma humana. Não há o que explicar. Acalma-te. A Musa anseia tão somente a tua entrega. 

Respira. Cerra teus olhos e submerge na Fonte. Desce ao cerne de tua consciência e regressa ao silêncio. Em tua infinitude particular, transborda e esvazia simultaneamente. 

Ouve. A Inspiração é isto: o inexplicável, o numinoso. Ouve. É acessando o intangível, que podes transformar o sensível em palavras. 

Desarma-te. Baco te chama. Baco te inflama. Aceita esse bacanal em ti. Aceita a tua condição bacante. Permite que as ideias dancem o quanto queiram. Depois editas. Embriaga-te primeiro. Entrega-te ao êxtase e deixa a Musa falar através de ti. Depois editas. 

Aquieta. Silencia e ouve. Esquece a técnica. Esquece as fórmulas. Há um só caminho: render-te à Musa. Não precisas ser um expert em nada. Não precisas dominar qualquer técnica. Apenas sentir. E sentir com tal intensidade, que consigas revelar o sensível a quem ainda não o conhece. 

Silencia mais um pouco e ouve-me. Tu és a Fonte. Tu, criança, és a única responsável por alimentar a Musa. Silencia e a alimenta. Nutre a Fonte que és. Aquieta teus temores. A Fonte não secará tão cedo. Aquieta. Aquieta e ouve o que não digo.

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