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| Desenho de autoria própria. |
Eu sou toda mar. Quisera ser (a)mar. Quisera eu pensar menos em ti e amar-te somente. Mas eu penso tanto, tanto. Eu penso excessivamente. Lanço mil e uma conjecturas sobre o passado e o futuro. Teço e desteço anseios e memórias, diante deste mar azul turquesa.
Está um sábado lindo e, às seis da manhã, já estou na praia. O cheiro da maresia me invade enquanto o sol beija todos os meus poros. Que delícia! Aproveito a praia quase deserta e tiro a parte de cima do biquíni. Oh, que alívio! Como eu queria que tu me dissesses o que sentes por mim sem que eu precisasse perguntar. Queria ter o dom de entrar em teu coração à noite e descobrir o que sentes por mim. Se eu percebesse o terreno livre e fértil, eu me declararia para ti no dia seguinte. Porém, tudo que tenho são sonhos e suspiros. AH, que dia lindo!
A areia ainda não está muito quente e me deito diretamente sobre ela. O céu não tem uma nuvem sequer, mas o sol me ofusca e fecho os olhos. Oh, eu quero amar-te; quero me diluir em ti. Oh, por que não me procuras tu? Eu tenho medo, muito medo de pôr o pé dentro d’água. Tenho muito medo de me afogar. Oh, Janaína, me ajuda! Me ajuda a confiar no que estou sentindo. Me ajuda a ser água.
Eu quero ser água. Eu quero fluir para ti. Eu não quero chegar derrubando tudo. Eu quero chegar de mansinho, beijando teus pés e ir subindo devagarzinho, até transbordar em ti. Mas como é difícil ser água. Na verdade, como é difícil ser um rio manso. Eu sou, sempre fui, um mar revolto. Um mar em dia de ressaca.
Sinto meus mamilos intumescidos com o vento frio. Que vontade de revelar esta pérola de amor que guardo em meu peito. Oh, Janaína, liberta-me do medo de submergir nas águas profundas do meu coração! Liberta-me deste medo de amar! Amar-te sem medos ou reservas. Amar-te integralmente. Ser o próprio Amor, para que não seja possível outra coisa além de amar-te.
O sol esquenta e eu começo a suar. Abro os olhos lentamente e me sento. Observo o mar azul turquesa e corro para os seus braços. O mar cheio, intenso, como as minhas emoções. Mesmo assim, mergulho. A princesa de Aiocá me conduza. Tenho medo de te amar e deixar de ser eu. Mas quem sou eu? Quem sou eu de verdade? Quem sou eu quando não preciso agradar nem impressionar ninguém? Quem sou eu, quando apenas sou?
Entre o Paraíso e a Barreira do Inferno, eu me entrego a ti, Janaína. Eu entrego minhas preocupações ao mar. Entrego os meus medos e angústias a este firmamento azul. Eu me entrego a ti, meu amor. Eu entrego todas as minhas resistências. Eu entrego a ti, minha mãe, o meu medo de amar e me entregar. Eu me rendo ao mar. Eu sou água e entrego minhas questões insolúveis ao sol. Eu me entrego ao vento e, juntos, dançamos no amor, entre o Paraíso e a Barreira do Inferno.

