quarta-feira, 26 de julho de 2017

Autopoiesis mandalar

            Imersa em Contato e Carícias, produzi as duas mandalas acima. Apenas dois anos as separam. E veja quanta diferença!
            O núcleo d’ambas é flor. Eu sou flor. Contudo, em 2015, vemos uma flor mirradinha no centro e, ainda por cima, cercada por cristais pontiagudos. Com tais guardiães, pouquíssima coisa entrava ou saía. Já agora, em 2017, a flor central é quatro vezes maior do que a anterior. Além disso, é mais quente e exuberante. Esta flor em formato de estrela representa a minha Sexualidade, enquanto a de 2015 é a Afetividade. Ainda junto à flor de 2017, temos, ao invés de cristais pontiagudos, corações doces e ternos.
            Depois do núcleo em flor, temos, em 2015, uma outra flor. Já em 2017, temos uma borboleta de asas abertas. Eu sou esta borboleta, que está descobrindo e abrindo as próprias asas. Em 2015, porém, logo em seguida à segunda flor, temos uma redoma circular, fechando o centro da mandala. A Sexualidade, aqui, está representada por um singelo carmim ao fundo deste centro.
            Em volta da redoma, em 2015, temos pétalas irregulares e rosáceas, formando uma terceira flor. Estas pétalas são a expressão da minha Afetividade, ou seja, o que eu demonstrava à época. Já em 2017, temos uma fonte d’água jorrando por trás da borboleta, para só então vir o fechamento do centro, em forma de triângulo. Um triângulo invertido, que, justamente por ser invertido, me remete ao útero.
            Quanto à borda, em 2015, temos vários pássaros namorando, mas os casais não interagem uns com os outros nem com a flor. Eles são os outros. Os outros, os quais sinto felizes, como se esta felicidade não fosse um direito meu também. Já em 2017, temos fogo. Um anel de fogo. As chamas são as couraças que ainda resistem. Não obstante, o bloqueio já está sendo rompido pelas asas da borboleta.
            A diferença mais gritante entre uma mandala e outra, contudo, é a forma. Enquanto a de 2015 foi construída dentro de uma estrutura quadricular, a de 2017 nasceu dentro de um círculo. Isto denota a flexibilização da estrutura interna, que está cada dia mais suave e amorosa. Ademais, revela a disposição para aceitar os ciclos e fluir ininterruptamente.
            É, portanto, notável a expansão ocorrida nestes dois anos. Vemos a Sexualidade incorporada e expressa. Vemos também o surgimento de elementos novos, como a borboleta e a água. A borboleta é a expressividade, a Criatividade à flor da pele. E a água representa a geração de vida.
            E a expansão continua. Estou expandindo cada vez mais e expandirei cada vez mais, autopoiética que sou.

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