Esquecer
é transcender, desprender-se do ocorrido. Renovar-se e ser outro. Limpar-se da
chuva de ontem e curtir, por ora, o sol. Despegar-se do passado, assim como do
futuro, e viver o rio que aflora. Para ser rio é preciso, antes de tudo,
esquecer.
Transcender
e esquecer. Esquecer e transcender. Já Heráclito dizia que nunca é o mesmo
homem nem o mesmo rio a passar. Assim sendo, para ser novo, o ser humano deixa
ir o que já deixou de ser. Para ser rio é preciso, antes de tudo, esquecer.
Transcender
seria, portanto, desconstruir, descomplicar. Simples: é não cristalizar, não tornar
eterno o efêmero. É eterno o instante, tão-somente enquanto dura. Depois disso,
é memória. Todavia, cabe lembrar: para ser rio é preciso, antes de tudo, esquecer.
