domingo, 22 de novembro de 2015

Da árvore que sou desde que nasci


Este é o momento mais difícil para mim. Estou revolvida a tal ponto, que não sou mais a Sara de antes, nem sou, ainda, a nova Sara. Estou nesse trânsito entre aquilo que fui e o que estou me tornando.
A primavera se aproxima. Mais um ano será acrescido à minha cronologia. As velhas folhas, porém, ainda não caíram, para insurgir o verdume multicolorido. Nesses momentos, eu gostaria de ser efetivamente o carvalho que trago no nome e me curvar à tempestade; reconhecer a força e sacralidade do caos e desapegar-me de minhas folhas secas e murchas. Estas folhas ressequidas nada mais são do que esses velhos paradigmas que já não me nutrem mais. Por isso gostaria de ser a árvore que sou desde que nasci: para despir-me sem pudores nem apegos de tudo aquilo que não me nutre mais. Como disse esses dias para pessoas que nunca tinha visto antes, desaprender tudo para reaprender novamente. Recuperar o espanto por tudo quanto se manifesta e vive e ser mais feliz hoje, leve e livre de tudo o que aconteceu até então.
Tudo soa redundante, eu sei. Mas, se isso ainda escorre dos meus dedos, é porque as ideias ainda estão em trânsito dentro de mim. E é neste labirinto textual que tudo se torna claro para mim. Preciso esvaziar, esta é a grande clareira que se abre, pois só no vazio há espaço para o porvir. Se estamos sempre cheios, não comportamos mais nada. Como poderíamos? Até o dia que implodimos! Implodimos, porque necessitamos desesperadamente de espaço para o novo. Logo, se não buscamos o esvaziamento por livre que queiramos ser, a tempestade virá até nós, para a nossa própria sobrevivência. E, depois da tempestade, vem o trabalho duro.
           A Biodanza tem sido esta tempestade tão necessária em minha vida. Estou, neste momento, na fase do trabalho duro, na manhã seguinte ao temporal. Às vezes caio; tropeço em meus velhos paradigmas que a enxurrada pôs a nu diante de mim. Contudo, essas quedas esporádicas são um sinal de que minhas antigas pernas já não me sustentam mais. As asas, porém, ainda estão nascendo. Ainda. Logo estarão prontas para voar.